Como é fácil se perder em lembranças boas, as horas voam na velocidade máxima quando nos entregamos pra pensarmos somente em coisas que nos fizeram bem, nos provocaram risos ilimitados, felicidade completa e uma paz de espírito. Incrível como num simples estalo tudo volta à realidade; a aptidão instantânea em perceber que essas mesmas lembranças boas são o motivo da tristeza de hoje - não conseguir rir de muita coisa, não ter a felicidade completa e viver num inferno particular, aonde a paz sequer se aproxima (às vezes vem, mas a visita é rápida, ela insiste em ter pressa).É bom recordar a fase em que se mais foi feliz - até o momento, claro - perceber o quanto estive convicta para determinadas coisas, inclusive o futuro. Mas aí, como uma chuva de verão -forte, imprevisivel, acompanhada de ventania e provocando areia nos olhos - a realidade chega. Impiedosa que só. Então ela diz: "Bem-vinda a realidade". Essas boas vindas me perturbam o sono, tenho dito. É difícil expulsar de mim a utopia - chata, persistente, impertinente - que existe relacionada a tais sentimentos, pessoas, vínculos. É um tédio.
Pra me livrar de todos esses resquícios do passado eu precisaria receber uma lavagem cerebral; tudo isso age em mim com a semelhança de um baobá enraizado na terra.
Esse meu espírito de museu necessita ser expulso da minha vida, ele só dificulta o que já é quase impossível pra mim.
Preciso aprender a conviver com a realidade - não é minha amiga, mas também não é inimiga - e a abrir portas que estão trancadas a sete chaves, pra que algo novo possa me surpreender. Quero viver a minha realidade, porque eu compreendi que na verdade é a do outro que me magoa e inibe a presença da felicidade e da paz na minha vida.
Um novo conceito de vida -relacionado a amor, sentimentos, promessas, futuro, planos - precisa nascer em mim. Porque da forma que eu penso não deve mais valer a pena. Aliás, nada tem sido válido. Agora não vou mais ceder aos sentimentos tão facilmente. Isso não vai ser difícil porque em mim foi construído um escudo muito solido- ótima construção por sinal. Não me rendo a sentimentos precipitados, não mesmo.
Meu coração agora vai ter apenas a função vital: bombear o sangue para todos os órgãos, tecidos e celulas do meu corpo. E basta.
"Vem dizer adeus ao que restou de quem um dia foi feliz..." Assim Será - Los hermanos.
"Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito." (Machado de Assis)
I really like that image.
ResponderExcluirRuss:)